No dia 10 de junho, o miniauditório da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás (UFG) foi palco do lançamento oficial do Observatório de Mulheres em Goiânia, o Berê. O evento marcou a consolidação de uma nova parceria entre a UFG e a Prefeitura de Goiânia, por meio da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh), com o objetivo de contribuir com a gestão pública municipal através de dados qualificados, levantados por meio da pesquisa acadêmica.
O propósito central do Berê é produzir, sistematizar e democratizar informações sobre as condições de vida das mulheres na capital, fortalecendo a articulação entre o meio acadêmico, a gestão pública e a sociedade civil. A iniciativa nasceu na intenção de responder ao chamado “apagão de dados”, buscando oferecer subsídios técnicos para que os agentes públicos formulem e implementem políticas transversais fundamentadas em dados.
Foi com esse espírito que a cerimônia de lançamento reuniu autoridades que compõem a rede de proteção à mulher em Goiás. A mesa de honra contou com a presença da secretária municipal de Governo, Sabrina Garcez; Jaqueline Araújo, representando a Reitoria da UFG; a titular da Semasdh, Eerizania Freitas. Também estiveram presentes representantes do Poder Judiciário, como a juíza Isabela Luiza Alonso Bitencourt, que é representante da Coordenadoria da Mulher, do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO), além de integrantes do Ministério Público Estadual (MP-GO), da Defensoria Pública (DP-GO) e a Comandante Sol, da Patrulha Mulher Mais Segura da Guarda Civil Metropolitana (GCM).
Ao lançar o observatório, a vice-coordenadora do Berê, Ana Paula Castro Neves, destacou o compromisso do projeto com a promoção dos direitos humanos, ressaltando que parte das decisões do poder público voltadas à proteção das mulheres precisam ser tomadas a partir de evidências. Ela reforçou o papel da pesquisa universitária e também do acesso a dados para pontuar, em especial, o trabalho desenvolvido pelos pesquisadores do observatório ao longo dos últimos quatro anos.
A secretária de Inclusão da UFG, Jaqueline Araújo, disse que o Berê se soma a outras iniciativas da universidade para a contribuição de ações voltadas à proteção da mulher – não só em Goiânia, como também no Estado. “Nós estamos passando por um momento extremamente delicado em termos nacionais e também local em relação ao assédio à mulher, o feminicídio”, afirmou a secretária, mencionando atos da universidade nos últimos meses em prol das discussões sobre a violência de gênero.
Titular da Semasdh, pasta responsável pelas políticas públicas voltadas às mulheres em Goiânia, Eerizania Freitas, ao elogiar o resultado do Berê, disse que somente através do “diagnóstico real” que se é possível “mapear e nortear avanços consolidados por meio de políticas públicas e sociais”.
Já a secretária municipal de Governo também parabenizou o lançamento e destacou a desburocratização dos recursos públicos para o prosseguimento das atividades de pesquisas de observatórios como o Berê, ressaltando a importância da unidade entre o poder público, a sociedade civil e a academia para que a “qualidade de vida das mulheres” seja garantida. Sabrina destinou emendas impositivas, enquanto vereadora da capital, para o fomento das atividades de pesquisa do Berê.
“A cada dia que passa é mais estarrecedora a quantidade de mulheres que vem sofrendo com a violência. Só juntas é que vamos conseguir enfrentar essa violência. Mas não só isso: é entender a mulher como um todo. Existe a violência a ser combatida, mas um trabalho que fizemos, por exemplo, é a criação da política pública da endometriose. Quando a gente fala de mulheres na política e na vida pública, também falamos de trazer essas pautas que até pouco tempo eram invisíveis”, disse Sabrina, enfatizando pautas com este tema que foram debatidas durante seu período como vereadora da capital.
Pesquisa
O trabalho do Berê, realizado pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Criminalidade e Violência (Necrivi-UFG), está estruturado em quatro eixos prioritários: Saúde, Segurança Pública, Educação e Mercado de Trabalho/Renda. Conta com o financiamento e apoio da Prefeitura, por meio da Semasdh.
Um diferencial da iniciativa é a abordagem interseccional, que permite analisar como marcadores de raça, classe social e maternidade agravam as desigualdades e vulnerabilidades enfrentadas pelas mulheres goianienses.
O nome do observatório faz ainda um resgate histórico: uma homenagem a Berenice Artiaga, a primeira mulher eleita deputada estadual em Goiás, em 1952. Segundo a equipe do projeto, “Berê” transmite acolhimento e respeito, simbolizando a força feminina na história de Goiânia ao mesmo tempo em que projeta um futuro de maior segurança e igualdade.
Plataforma
Além das falas das autoridades presentes, a programação de lançamento também incluiu uma apresentação detalhada sobre a metodologia e as funcionalidades do portal do Berê na internet. Com o lançamento, o site do observatório passa a operar também como uma plataforma de consulta pública sobre dados relacionados à proteção à mulher.
O convite da equipe organizadora é que toda a comunidade – de pesquisadores a cidadãos comuns – conheça a ferramenta e ajude a fortalecer essa rede de conhecimento dedicada a garantir que todas as mulheres tenham uma permanência digna e segura em todos os espaços da cidade.
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