A participação das mulheres no mercado de trabalho em Goiânia mantém-se abaixo da masculina. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnadc), analisados pelo Berê, entre 2012 e 2025, enquanto a taxa de participação dos homens na força de trabalho na capital goiana permaneceu acima de 75%, a das mulheres oscilou entre 55% e 61%.
O principal entrave para a inserção feminina está no âmbito privado. Entre as mulheres que permanecem fora do mercado, uma parcela significativa justifica a ausência pela necessidade de “dedicação aos afazeres domésticos e ao cuidado de familiares”. Entre 2016 e 2025, este motivo foi apontado por mais de 20% das mulheres fora da força de trabalho, chegando a superar os 30% em determinados anos, enquanto para os homens o índice permanece abaixo de 5%.
A disparidade reflete um padrão socioeconômico em que a maternidade e as tarefas de cuidado frequentemente interrompem ou limitam a trajetória profissional feminina, o que raramente ocorre com a paternidade. Analistas indicam que a resolução deste cenário depende de políticas públicas de ampliação da oferta de serviços de cuidado, como creches, educação infantil em tempo integral e apoio a idosos, visando reduzir a sobrecarga e ampliar a participação das mulheres em empregos formais.
Mesmo quando conseguem ingressar e permanecer no mercado, as mulheres têm de lidar com remunerações inferiores. Ainda de acordo com a Pnadc, em Goiânia, os rendimentos masculinos foram, em média, entre 20% e 33% superiores aos das mulheres na última década, mesmo em comparação entre trabalhadores com o mesmo nível de escolaridade.
A desigualdade também é aprofundada pelo recorte racial. Em 2023, em Goiânia, mulheres brancas receberam, em média, 15,6% a mais do que mulheres negras. Nacionalmente, trabalhadoras negras com escolaridade semelhante à de mulheres brancas ganham entre 15% e 20% menos, o que ressalta as desvantagens cumulativas geradas pela combinação de gênero e raça.
O diagnóstico também destaca que o aumento da escolaridade feminina, embora fundamental, não é suficiente para neutralizar a desigualdade de renda. Fatores como a segregação ocupacional, a desvalorização de profissões consideradas femininas e a penalização associada à maternidade continuam a influenciar os salários. Para o desenvolvimento de políticas públicas eficazes, os dados sugerem que é necessário enfrentar os mecanismos diretos de desigualdade nos retornos salariais, uma vez que as mulheres já lideram mais da metade dos domicílios brasileiros e a economia das famílias depende, cada vez mais, da renda feminina.